domingo, 18 de agosto de 2013

Pode vir

Por Elisa Estronioli
Você pode vir com suas facas e seus espelhos
Você pode vir com seus grilhões e sua serpente
Você pode vir com sua máquina e suas correntes
Você pode vir com mil nervos despedaçados

Você pode vir com suas botas encouraçadas
Você pode vir com seus dentes todos à mostra
Você pode vir com seu alforje cheio de pedras
Você pode vir com paus, poemas e perdas

Eu te espero com sete bandeiras desfraldadas
Eu te espero com fome, sede, fogo e lágrimas
Eu te espero com barro sob as unhas quebradas

Eu te espero, porque não há mais refúgio
Na noite úmida e sem estrelas.

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