sexta-feira, 28 de junho de 2013

O que é Poesia Marginal

Por Moisés Costa Ribeiro
A poesia marginal surgiu nos anos 70, em plena ditadura militar, inspirada por um novo jeito de se expressar e fazer poesia. Era marcada pelo artesanal, por poetas que queriam se expressar livremente, buscando caminhos alternativos para distribuir poesia e revelar novas vozes poéticas.

Os poetas mais marcantes desta época foram Ana Cristina César, Paulo Leminski, Ricardo Carvalho Duarte (Chacal), Francisco Alvim e Cacaso. As poesias eram distribuídas em livretos artesanais mimeografados e grampeados, ou simplesmente dobrados.
Poetas, universitários e cabeludos eram caras que imprimiam no álcool do mimeógrafo as suas poesias originais. Foram poemas instigantes, carregados de coloquialidade e objetividade.
É importante enfatizar que não foi um movimento poético de características padronizadas, foi um momento de libertação dos termos e expressão livre num momento de repressão política nos fins da década de 60. A poesia foi levada para as ruas, praças e bares como alternativa de publicação, alternativa que estivesse longe do alvo da censura. Tudo era considerado suporte para a expressão e impressão das poesias, fosse um folheto, uma camiseta, xerox, apresentações em calçadas, etc.
Trecho de um poema sem título de Paulo Leminski:
“Eu hoje, acordei mais cedo
e, azul, tive uma idéia clara
só existe um segredo
tudo está na cara.”
Hoje temos outros grandes nomes da poesia marginal como Férrez, Sérgio Vaz e tantos outros...
Trecho de um poema de Sérgio Vaz:
PAZ NA PERIFERIA
“Se homicídio fosse esporte olímpico, São Paulo ganharia medalha de ouro. Mas como não é, ficamos nós com as medalhas de sangue e de lágrimas. E pra mim, nenhuma vida vale mais do que a outra, porque quem morre, deixa mais do que saudade, deixa família, filhos, lembranças... O homicídio é um crime extremamente deselegante”.

A poesia marginal é acima de tudo uma poesia política, questionadora que faz o povo pensar, se entender como agente de sua própria história. Não se enquadra em normas e estilos literários, é livre e, portanto é do povo e para o povo.
Trecho de um poema chamado “Pra que serve a poesia?” de Moisés Ribeiro:
“Pra que serve a poesia?
Se não pra me fazer pensar
Poesia pra pensar, pra viver, pra questionar
Poesia pra ser, pra existir, pra incomodar
Poesia pra fugir e libertar
Poesia pra cantar a liberdade
Pra dizer a verdade nua e crua
Na rua, nos viadutos, nas praças e escolas
Nos vãos de liberdade
Que se liberta em cada esquina”.

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