Por Moisés Costa Ribeiro
A
poesia marginal surgiu nos anos 70, em plena ditadura militar, inspirada por um
novo jeito de se expressar e fazer poesia. Era marcada pelo artesanal, por
poetas que queriam se expressar livremente, buscando caminhos alternativos para
distribuir poesia e revelar novas vozes
poéticas.
Os poetas mais marcantes desta época foram Ana
Cristina César, Paulo Leminski, Ricardo Carvalho Duarte (Chacal), Francisco
Alvim e Cacaso. As poesias eram distribuídas em livretos artesanais
mimeografados e grampeados, ou simplesmente dobrados.
Poetas, universitários e cabeludos eram caras que
imprimiam no álcool do mimeógrafo as suas poesias originais. Foram poemas
instigantes, carregados de coloquialidade e objetividade.
É importante enfatizar que não foi um movimento
poético de características padronizadas, foi um momento de libertação dos
termos e expressão livre num momento de repressão política nos fins da década
de 60. A poesia foi levada para as ruas, praças e bares como alternativa de
publicação, alternativa que estivesse longe do alvo da censura. Tudo era
considerado suporte para a expressão e impressão das poesias, fosse um folheto,
uma camiseta, xerox, apresentações em calçadas, etc.
Trecho de um poema sem título de Paulo Leminski:
“Eu hoje, acordei mais cedo
e, azul, tive uma idéia clara
só existe um segredo
tudo está na cara.”
e, azul, tive uma idéia clara
só existe um segredo
tudo está na cara.”
Hoje temos outros grandes nomes da poesia marginal como
Férrez, Sérgio Vaz e tantos outros...
Trecho de um poema de Sérgio Vaz:
PAZ NA PERIFERIA
“Se homicídio fosse esporte olímpico, São Paulo ganharia medalha de ouro. Mas como não é, ficamos nós com as medalhas de sangue e de lágrimas. E pra mim, nenhuma vida vale mais do que a outra, porque quem morre, deixa mais do que saudade, deixa família, filhos, lembranças... O homicídio é um crime extremamente deselegante”.
“Se homicídio fosse esporte olímpico, São Paulo ganharia medalha de ouro. Mas como não é, ficamos nós com as medalhas de sangue e de lágrimas. E pra mim, nenhuma vida vale mais do que a outra, porque quem morre, deixa mais do que saudade, deixa família, filhos, lembranças... O homicídio é um crime extremamente deselegante”.
A poesia marginal é acima de tudo uma poesia política,
questionadora que faz o povo pensar, se entender como agente de sua própria
história. Não se enquadra em normas e estilos literários, é livre e, portanto é
do povo e para o povo.
Trecho de um poema chamado “Pra que serve a poesia?” de
Moisés Ribeiro:
“Pra
que serve a poesia?
Se
não pra me fazer pensar
Poesia
pra pensar, pra viver, pra questionar
Poesia
pra ser, pra existir, pra incomodar
Poesia
pra fugir e libertar
Poesia
pra cantar a liberdade
Pra
dizer a verdade nua e crua
Na
rua, nos viadutos, nas praças e escolas
Nos
vãos de liberdade
Que se liberta em
cada esquina”.
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